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Como instalar o WSL no Windows 11 passo a passo

Veja como instalar o WSL no Windows 11 com segurança, escolher uma distribuição Linux, criar seu usuário, atualizar pacotes e integrar arquivos entre os sistemas. O guia também explica requisitos, comandos úteis, soluções para falhas frequentes e boas práticas.

Publicado em

13 min de leitura

O Windows Subsystem for Linux, conhecido pela sigla WSL, permite executar um ambiente Linux diretamente no Windows, sem a necessidade de criar uma máquina virtual tradicional ou reiniciar o computador para alternar de sistema operacional. Para estudantes, desenvolvedores, profissionais de infraestrutura e pessoas interessadas em aprender comandos Linux, ele oferece uma forma prática de reunir ferramentas dos dois ecossistemas no mesmo computador.

Notebook com terminal Linux aberto no Windows 11.
Notebook com terminal Linux aberto no Windows 11.

No Windows 11, a instalação ficou mais simples graças a um comando que habilita os componentes necessários e instala uma distribuição Linux padrão. Ainda assim, entender o que ocorre em cada etapa ajuda a evitar erros, escolher a distribuição adequada e usar os arquivos de maneira correta depois da configuração inicial.

Este guia mostra como preparar o computador, instalar o WSL, configurar uma distribuição como o Ubuntu e verificar se tudo está funcionando. Também traz cuidados com permissões, atualizações, integração de arquivos e soluções para problemas frequentes.

O que é o WSL e por que ele é útil

O WSL é um recurso do Windows que oferece compatibilidade para executar programas de linha de comando Linux. Em sua versão atual, o WSL 2 utiliza um kernel Linux real gerenciado de forma integrada ao sistema. Isso amplia a compatibilidade com ferramentas de desenvolvimento, serviços em contêineres e utilitários que dependem de recursos próprios do Linux.

Na prática, você abre um terminal, como o Windows Terminal, e usa comandos conhecidos do Linux: navegar entre diretórios, instalar pacotes, executar linguagens de programação, usar Git e configurar ambientes locais. Seus aplicativos gráficos do Windows continuam disponíveis, e arquivos podem ser acessados entre os dois ambientes quando necessário.

WSL 1 e WSL 2: qual é a diferença

O WSL 1 foi a primeira implementação do recurso e traduz chamadas do Linux para o Windows. Ele pode ter utilidade em cenários específicos de acesso a arquivos armazenados no sistema Windows, mas apresenta limitações de compatibilidade com algumas aplicações. O WSL 2, por outro lado, usa um kernel Linux e costuma ser a opção recomendada para a maioria das pessoas.

Para desenvolvimento moderno, especialmente com Docker, ferramentas de compilação, gerenciadores de dependências e aplicações que exigem comportamento próximo ao de um servidor Linux, o WSL 2 tende a entregar melhor compatibilidade. Ao instalar o recurso pelo método padrão no Windows 11, a configuração normalmente prioriza essa versão.

AspectoWSL 1WSL 2
FuncionamentoCamada de compatibilidadeKernel Linux integrado
Compatibilidade com apps LinuxMais limitadaMais ampla
Uso com contêineresLimitadoMais indicado
Acesso a arquivos do WindowsPode ser mais rápido em alguns casosFunciona, mas projetos Linux rendem melhor no sistema Linux
Indicação geralCasos legados e específicosDesenvolvimento e uso cotidiano

Requisitos antes de começar

Antes de instalar, confirme que o computador roda o Windows 11 atualizado e que sua conta possui permissão de administrador. A instalação pode pedir elevação de privilégios, porque ativa recursos opcionais do sistema e configura componentes de virtualização necessários para o WSL 2.

Tela do Windows Terminal exibindo comandos do WSL.
Tela do Windows Terminal exibindo comandos do WSL.

Também é importante verificar se a virtualização de hardware está habilitada. Em muitos computadores ela já vem ativa, mas pode estar desabilitada no firmware UEFI/BIOS. Sem esse recurso, o WSL 2 pode não iniciar corretamente, mesmo que a instalação pareça ter sido concluída.

Como verificar a virtualização

Pressione Ctrl + Shift + Esc para abrir o Gerenciador de Tarefas. Na aba de desempenho, selecione CPU e procure a linha “Virtualização”. Se ela aparecer como habilitada, o requisito está atendido. Caso apareça como desabilitada, será necessário entrar nas configurações UEFI/BIOS do computador e ativar a opção, que pode ter nomes como Intel Virtualization Technology, VT-x, AMD-V ou SVM Mode.

O nome exato e o local da opção variam conforme o fabricante da placa-mãe ou do notebook. Se não encontrar a configuração, consulte o manual do equipamento ou o suporte do fabricante. Evite alterar outras opções de firmware sem saber a finalidade delas, pois configurações indevidas podem afetar a inicialização do computador.

  • Windows 11 com atualizações disponíveis instaladas;
  • Conta de usuário com privilégios administrativos;
  • Virtualização habilitada para utilizar o WSL 2;
  • Conexão com a internet para baixar componentes e distribuições;
  • Espaço livre no disco para o Linux e os programas que serão instalados.

Como instalar o WSL pelo Terminal

O método mais direto é usar o Terminal do Windows ou o PowerShell aberto como administrador. Essa instalação automatizada habilita os recursos necessários, baixa o kernel Linux apropriado e instala uma distribuição padrão, geralmente o Ubuntu. O procedimento é reversível, mas vale fazer cópia de arquivos importantes antes de realizar mudanças relevantes no sistema.

Digite “Terminal” no menu Iniciar, clique com o botão direito em Windows Terminal e escolha a opção para executar como administrador. Na janela aberta, use o comando abaixo. Ele deve ser digitado exatamente como mostrado:

wsl --install

Após a execução, o Windows pode informar que será necessário reiniciar. Reinicie o computador quando solicitado. Na primeira abertura após a reinicialização, o sistema concluirá o preparo da distribuição Linux. Aguarde sem fechar a janela enquanto os arquivos são descompactados e a instalação é finalizada.

  1. Abra o Windows Terminal ou PowerShell como administrador.
  2. Execute wsl --install.
  3. Aguarde a habilitação dos componentes e o download da distribuição padrão.
  4. Reinicie o computador caso o sistema solicite.
  5. Abra a distribuição Linux instalada pelo menu Iniciar.
  6. Crie um nome de usuário e uma senha exclusivos para o ambiente Linux.
  7. Atualize os pacotes antes de começar a instalar ferramentas.

Criação do usuário Linux

Na primeira execução do Ubuntu ou de outra distribuição, será solicitado um nome de usuário UNIX e uma senha. Eles não precisam ser iguais às credenciais da sua conta do Windows. Escolha um nome simples, em letras minúsculas, e use uma senha forte que você consiga lembrar.

Ao digitar a senha no terminal, nenhum caractere aparecerá na tela. Esse é um comportamento normal de segurança no Linux, e não significa que o teclado parou de funcionar. Digite a senha com atenção e pressione Enter. Esse usuário será usado para tarefas diárias e poderá executar comandos administrativos com sudo, quando necessário.

Como escolher e instalar outra distribuição Linux

Embora o Ubuntu seja uma escolha comum para iniciantes por ter ampla documentação e grande disponibilidade de pacotes, o WSL aceita outras distribuições. Debian, Fedora, openSUSE e Kali Linux estão entre as opções que podem ser disponibilizadas por meio da Microsoft Store ou pelo próprio comando do WSL, conforme a oferta atual.

Configuração inicial de uma distribuição Linux no computador.
Configuração inicial de uma distribuição Linux no computador.

Para ver as distribuições disponíveis pelo terminal, abra uma janela com privilégios administrativos e execute:

wsl --list --online

O comando exibirá os nomes reconhecidos pelo instalador. Para instalar uma opção específica, use a estrutura abaixo, trocando “NomeDaDistribuicao” pelo identificador mostrado na lista:

wsl --install -d NomeDaDistribuicao

Por exemplo, uma pessoa que deseja Debian deve usar o nome exibido no resultado do comando de listagem. Depois da instalação, abra a nova distribuição pelo menu Iniciar e conclua a criação do usuário. Você pode manter mais de uma distribuição instalada, mas cada uma ocupa espaço e deve ser atualizada separadamente.

Para uma explicação geral sobre a origem e as características do sistema, consulte o verbete sobre Linux. Na escolha prática, priorize a distribuição para a qual você encontra documentação confiável relacionada às ferramentas que pretende usar. Para estudar comandos básicos e desenvolver aplicações, Ubuntu ou Debian costumam atender bem.

Verificações e comandos essenciais após a instalação

Depois de instalar, confirme as distribuições disponíveis e a versão de WSL associada a cada uma. No Terminal do Windows, execute:

wsl --list --verbose

O resultado informa o nome da distribuição, seu estado e a versão em uso. Se uma distribuição estiver na versão 1 e você quiser migrá-la para o WSL 2, use o comando abaixo, substituindo o nome pelo que aparece na lista:

wsl --set-version NomeDaDistribuicao 2

Atualização inicial do Ubuntu

Em distribuições baseadas em Debian, como o Ubuntu, atualize os índices de pacotes e instale correções logo após a configuração inicial. Dentro do terminal Linux, execute:

sudo apt update && sudo apt upgrade

O primeiro comando consulta os repositórios configurados e atualiza a lista de versões disponíveis. O segundo aplica atualizações aos pacotes instalados. Leia as mensagens antes de confirmar alterações e mantenha espaço em disco suficiente. Atualizações frequentes são uma prática importante para corrigir falhas e obter melhorias de compatibilidade.

“Talk is cheap. Show me the code.”

Linus Torvalds

A frase, frequentemente associada à cultura de desenvolvimento de software livre, reforça uma ideia útil ao começar a usar o WSL: o aprendizado vem da prática. Em vez de memorizar dezenas de comandos, experimente tarefas pequenas, consulte a ajuda de cada ferramenta e entenda o que cada operação altera no seu ambiente.

Arquivos, integração com o Windows e desempenho

O WSL permite acessar os discos do Windows a partir do Linux. Em geral, a unidade C: aparece em /mnt/c. Assim, a pasta de documentos do usuário do Windows pode ser acessada por um caminho semelhante a /mnt/c/Users/SeuUsuario/Documents. Isso facilita abrir, editar e copiar arquivos entre os dois sistemas.

Explorador de Arquivos acessando pastas do ambiente Linux.
Explorador de Arquivos acessando pastas do ambiente Linux.

Apesar dessa integração, há uma recomendação importante para quem desenvolve software: se o projeto será manipulado principalmente por ferramentas Linux, mantenha-o dentro do sistema de arquivos Linux, por exemplo na pasta pessoal ~/projetos. Esse hábito reduz problemas de permissões, diferenças de maiúsculas e minúsculas nos nomes de arquivos e lentidão em operações com muitos arquivos pequenos.

Abrindo a pasta Linux no Explorador de Arquivos

Dentro do terminal da distribuição, o comando abaixo abre o diretório atual no Explorador de Arquivos do Windows:

explorer.exe .

O ponto representa a pasta atual. É uma forma conveniente de localizar arquivos gerados por scripts, copiar documentos ou abrir um projeto em um editor gráfico. Ainda assim, não altere simultaneamente os mesmos arquivos por processos Linux e Windows sem entender como a ferramenta lida com bloqueios e sincronização.

Uso com editores e ferramentas de desenvolvimento

Editores modernos podem se conectar ao WSL para abrir projetos no ambiente Linux, executar terminal integrado e instalar extensões adequadas à distribuição. Essa integração é especialmente útil quando compiladores, interpretadores e dependências vivem no Linux, enquanto a interface do editor roda no Windows.

Outra possibilidade é executar aplicativos gráficos Linux suportados pelo WSL, mas isso não é obrigatório para aproveitar o recurso. Para começar, o terminal e um bom editor já são suficientes. Dê preferência a instalar ferramentas apenas quando precisar delas, evitando encher o ambiente de pacotes sem uso.

Problemas comuns ao instalar e usar o WSL

Um erro recorrente envolve a mensagem relacionada à virtualização ou à necessidade de habilitar uma plataforma de máquina virtual. Primeiro, confira o status da virtualização no Gerenciador de Tarefas. Se estiver desabilitada, ative-a no UEFI/BIOS. Depois, verifique se as atualizações do Windows foram concluídas e tente reiniciar antes de repetir o comando de instalação.

Quando o comando wsl --install não funciona como esperado, abra o terminal como administrador e consulte o status do recurso com wsl --status. Você também pode procurar atualizações específicas do WSL usando wsl --update. Em computadores corporativos, políticas de segurança podem bloquear componentes de virtualização ou a instalação de aplicativos; nesse caso, a solução correta é falar com a equipe responsável pela TI.

Distribuição não abre ou fecha imediatamente

Se a distribuição não abrir, tente iniciar pelo Terminal do Windows com o comando wsl ou especificando a distribuição com wsl -d NomeDaDistribuicao. Caso haja uma atualização pendente, aplique-a e reinicie o WSL com wsl --shutdown. Esse comando encerra todas as distribuições em execução; ao abrir novamente, o ambiente é iniciado do zero.

Evite desinstalar ou redefinir uma distribuição como primeira tentativa, pois isso pode apagar arquivos e configurações armazenados nela. Antes de ações destrutivas, faça backup dos projetos importantes. Para informações oficiais e instruções atualizadas sobre comandos, a documentação da Microsoft sobre WSL é a fonte mais indicada.

Esqueci a senha do usuário Linux

Se você esqueceu a senha do usuário criado na distribuição, não é necessário reinstalar tudo. É possível iniciar a distribuição como usuário root pelo Terminal do Windows, redefinir a senha com o comando passwd nome_do_usuario e depois voltar ao usuário padrão. Como esse processo envolve permissões administrativas no Linux, execute-o com cuidado e confirme o nome correto da conta antes de alterar qualquer configuração.

Para descobrir usuários existentes, é possível consultar o conteúdo do arquivo de contas dentro da distribuição. Contudo, se o ambiente contém projetos relevantes ou configurações complexas, documente o que fez durante a recuperação. Isso facilita identificar eventuais efeitos posteriores e evita repetir procedimentos de forma inadequada.

Boas práticas de segurança e manutenção

O WSL é integrado ao Windows, mas continua sendo um ambiente Linux com arquivos, chaves de acesso, tokens e configurações próprias. Não salve senhas em arquivos de texto, não compartilhe sua pasta pessoal sem necessidade e trate chaves SSH como informações sensíveis. Ajuste permissões quando trabalhar com credenciais e evite copiar arquivos de configuração para locais públicos.

Desenvolvedor utilizando terminal e editor de código no notebook.
Desenvolvedor utilizando terminal e editor de código no notebook.

Atualize regularmente o Windows, o WSL e os pacotes da distribuição. Também vale remover programas que não serão mais usados e manter cópias dos projetos em um repositório remoto ou em outro meio confiável. Backup não substitui cuidados diários, mas reduz o impacto de falhas, exclusões acidentais ou problemas no armazenamento.

  • Use uma senha forte para o usuário Linux e não a compartilhe.
  • Execute sudo apenas quando entender a finalidade do comando.
  • Mantenha projetos Linux na pasta pessoal da distribuição quando possível.
  • Atualize pacotes e o componente WSL periodicamente.
  • Faça backup de códigos, documentos e configurações importantes.
  • Evite executar scripts copiados da internet sem revisar o conteúdo.

Perguntas frequentes

O WSL substitui uma máquina virtual?

Para várias tarefas de linha de comando e desenvolvimento, o WSL pode dispensar uma máquina virtual completa. Porém, ele não é necessariamente um substituto para todos os cenários. Testes de sistemas completos, interfaces específicas, redes complexas ou necessidades de isolamento mais rígido podem exigir uma máquina virtual tradicional.

É possível ter Ubuntu e Debian instalados ao mesmo tempo?

Sim. O WSL permite instalar múltiplas distribuições e iniciá-las separadamente. Cada uma possui seus próprios usuários, pacotes e arquivos. Para ver o que está instalado, use wsl --list --verbose no Terminal do Windows.

Preciso usar o WSL 2 obrigatoriamente?

Não em todos os casos, mas o WSL 2 é recomendado para a maioria dos usos atuais por oferecer maior compatibilidade com aplicações Linux. O WSL 1 ainda pode ser útil em situações específicas, sobretudo quando o fluxo de trabalho depende intensamente de arquivos mantidos no sistema Windows.

Posso acessar arquivos do Windows dentro do Linux?

Sim. As unidades do Windows costumam ser montadas em /mnt, como /mnt/c para a unidade C:. Mesmo assim, para projetos usados principalmente no Linux, é melhor manter os arquivos na pasta pessoal da distribuição para obter uma experiência mais consistente.

Conclusão

Instalar o WSL no Windows 11 é uma maneira acessível de usar ferramentas Linux sem abandonar os programas e o fluxo de trabalho do Windows. Com o comando de instalação, uma distribuição adequada e a virtualização ativa, a configuração inicial tende a ser simples e pode ser concluída em poucos passos.

Depois de instalado, o melhor caminho é começar com comandos básicos, atualizar o sistema, organizar projetos na pasta Linux e adotar cuidados com permissões e backups. Esse conjunto de práticas transforma o WSL em um ambiente confiável para estudar, programar e trabalhar com utilitários de linha de comando.

Referências

  • Microsoft Learn — Instalar o WSL.
  • Microsoft Learn — Comandos básicos para WSL.
  • Ubuntu Documentation — AptGet Howto.
  • Linux Foundation — What is Linux?
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Escrito por

Editor-chefe e redator

Editor-chefe do O Valor da Educação, escreve tutoriais e guias de tecnologia com foco em clareza, pesquisa cuidadosa e aplicação prática no dia a dia.

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